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Notas preservadas da edição atualmente exibida.
É inegável que ZÉ GONZAGA se vem superando de elepe para elepe. Ontem, agradando melhor que ante-ontem; hoje, impressionando melhor que ontem. Há uma originalidade, que é, por assim dizer, a tônica em cada seleção musical que apresenta. Embora sempre fiel ao seu gênero nordestino, não deixa de dar um bordejo por outros ritmos, como que visando a "escandalizar" a moçada de seus rincões natais, para voltar numa gostosa gargalhada de "cabra da peste" ao irreverente baião ou ao tréfego xaxado. Mas será mesmo para causar estranheza a seu povo que ZÉ GONZAGA assim procede, ou na realidade estará "testando" as reações que provoca no meio nordestino um samba ou uma valsa que grava?... Por arriscar de vez em quando o solo de uma despretenciosa valsinha, hoje o filho do "rei dos oito-baixos" não esconde que necessariamente as valsas têm que fazer parte de seu repertório: seu público assim o exige e a tal ponto que já lhe emprestam o título de "rei da valsa". Neste elepê, inclusive, como invariàvelmente acontece nos anteriores, interpreta esse gênero ternário, com as valsas "Ita" (bem do gosto do caboclo que dança à vontade, bem afastado...), "Arlena" (onde o acordeão, os violinos e o piano enternecem algo que o coração gostaria de poder proclamar...) e "Ceciliana" (outro nome de mulher... outra estória, não é, ZÉ GONZAGA?...). E assim, o caso típico daquilo que se faz por brincadeira ou extravagância e que agradando inesperadamente é um convite a que passe a ser explorado. Isto mesmo dissemos a ZÉ GONZAGA, admitindo que outra iniciativa idêntica pudesse vir a originar o mesmo resultado. E queríamos com isso nos referir ao "Baile da Tartaruga", música que no nosso entender se enquadra no chamado "gênero da juventude" e que integra o presente elepê. "Como é, "seu Zé"? Aderiu ao ritmo dos cabeludos?" A reação não se fêz esperar, com aquêle jeitão bem nordestino: "Ritmo da juventude? Como piada serve! Xaxado legítimo, no duro, é que é!" E confidencial: "Seu moço, esse ritmo que os americanos estão mandando para cá, como ritmo da juventude, faz lembrar aquela significativa história de certo país que se preparou para a guerra fabricando canhões com o ferro que importava da nação que iria atacar e como afinal atacou... Só que neste caso as "bombas" explodem em ritmos e requebros!" E diante de nossa fisionomia intrigada de quem pouco estava entendendo, ZÉ GONZAGA concluiu: "Baile da Tartaruga" é xaxado, sim senhor, como xaxado é o tal do rock ou que outro nome tenha. Tio Sam está nos devolvendo com outra denominação e outra roupagem o que é nosso, bem nosso, brasileirissimamente nosso! Ele é puro produto nacional que o Brasil está importando de outras plagas. É como se comprássemos café brasileiro à França... Estamos importando xaxado, chotes e outras coisas por preço de artigo estrangeiro! Não, seu moço, eu não quero "esnobar" o xaxado chamando-o de rock!..."
Além das valsas antes referidas e do comentado (xaxado ou rock?) "O Baile da Tartaruga", encontram-se em mais esse magnífico longa-duração de ZÉ GONZAGA, as seguintes composições: "Indiferença", um baião triste, que nos conta a estória do solteirão que entra em casa e sente que tudo em redor reclama os cuidados da bem-amada. "Vou-me embora", chote, que retrata a angústia do nordestino que quer regressar ao sertão e morrer lá em cima, na chapada do Araripe, onde a lua é mais bonita..."; "Comêço de festa", marchinha provocante, inspirada na própria animação da festa nordestina...; "Enxerido", baião dedicado ao que comparece ao baile sem ser convidado...; "Forró em Araripina", homenagem à bela cidade serrana da divisa de Pernambuco e Piauí; "Recordando", chote melancólico; "Oito baixos apaixonado", forró que faz relembrar os "bacuraus" de ponta-de-rua dos sertões; e, finalmente, "Mastigadinho", baião naquele estilo que o sertanejo explica ser o próprio para se dançar "bem acoxadinho no cangote da morena..."
Vamos comprovar que o sertanejo está com a bola branca? Ouça-mo-lo, então!
MESQUITA VEIGA
Comêço de festa é um álbum de carreira de Zé Gonzaga lançado pela gravadora Copacabana. Esta edição está catalogada no Discofonia com número de catálogo SOLP-40541, mídia Vinil, tamanho 12", rotação 33 1/2 RPM, origem Brasil, classificada como edição principal. A página também reúne registros visuais da peça física, incluindo capa e contracapa. Esses elementos ajudam na identificação da edição e na comparação com outras edições relacionadas. Com 12 faixas catalogadas, esta página permite navegar pelo repertório do disco e acompanhar suas conexões com músicas, compositores, intérpretes e outras gravações no acervo.
Perguntas frequentes
O artista principal catalogado para este disco é Zé Gonzaga.
Esta edição está catalogada pela Copacabana.
O número de catálogo desta edição é SOLP-40541.
Esta edição está catalogada como Vinil de 12" com rotação 33 1/2 RPM.
No Discofonia, esta edição está catalogada com origem Brasil.
A página reúne imagens de capa e contracapa.
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